ESPECIAL: Nelsinho Batista confirma volta ao Japão e fala sobre TsunamiO treinador fala um pouco sobre a tragédia que desvatou a costa nordeste japonesa
Nelsinho segue à frente do Kashiwa Reysol!Campinas, SP, 24 (AFI) – As três passagens pelo futebol japonês e os quase dois anos no comando do Kashiwa Reysol já fizeram o técnico Nelsinho Batista incorporar o “espírito de fênix” do povo japonês, de sempre se reconstruir das cinzas. Tanto que o tremor de 8.9 graus na escala Richter, seguido de uma Tsunami, que arrasou a costa nordeste do Japão, em 11 de março, não foram suficientes para o treinador abandonar seu atual clube.
Confira!
» Gigantes italianos preparam "dérbi" para tirar Ganso do Santos
Assim como a população da Terra do Sol Nascente, que trabalha arduamente para retomar a vida, tal qual aconteceu, após a Segunda Guerra Mundial, Nelsinho embarca para o país asiático no dia 29 de março, a fim de recomeçar sua empreitada para preparar o time que disputa a J-League.
“Nossos trabalhos reiniciam no dia 4 (de abril) e, a princípio, nossos três jogadores brasileiros (os meias Leandro Domingues e Jorge Wagner e o atacante Roger) também retornam”, afirmou Nelsinho, lembrando que a J-League será retomada no dia 23 de abril, em entrevista exclusiva ao Futebol Interior.
Os jogos envolvendo Kashima Antlers, Vegalta Sendai e Mito Hollyhock, que sofreram danos em seus estádios e instalações, podem ser remarcados ou realizados em campo neutro. As cinco rodadas da 1ª divisão e as seis rodadas da 2ª divisão previstas para o período entre 12 março e 17 abril, serão disputada em julho, quando estava previsto um recesso do futebol local.
“Pelo que tenho acompanhado, o Japão parece que vai se recuperando, apesar de ter sido a maior tragédia natural da história recente do país. O povo japonês dá, mais uma vez, o exemplo de sua coragem, perseverança... Isso nos motiva e, com certeza, fará a vida no país ser retomado aos poucos”, relatou.
Família fica... por enquanto
Apesar de estar voltando ao Japão, Nelsinho Batista pretende, pelo menos por enquanto, resguardar sua família. Sua esposa e o filho pequeno devem ficar no Brasil até o país do oriente se estabilizar. “Ainda há alguns problemas, com racionamento de gasolina, energia elétrica, mantimentos nos supermercados... Mas aos tudo voltará a normalidade”, justificou. Entretanto, Eduardo Batista, preparador físico, volta junto com o pai.
O perigo da usina nuclear de Fukushima, que possui problemas em alguns de seus reatores devido ao terremoto, também não incomoda o treinador. O país está em estado de alerta diante de uma tragédia nuclear, já que o superaquecimento dos reatores poderia causar explosões que espalhariam a radioatividade pelo nordeste japonês.
“Já procurei me informar sobre e não corremos riscos em Kashiwa”, revelou. Kashiwa fica na região de Chiba, na Grande Tóquio, e está localizada a aproximadamente 320 quilômetros de Fukushima.
São mais de 14 mil desaparecidos; Mais de 9 mil mortes confirmadasRelato da tragédia
O treinador também contou um pouco sobre a experiência que viveu no momento que os tremores atingiram o Japão. A tragédia aconteceu quando a delegação do Kashiwa Reysol estava em um trem a caminho de Osaka, onde jogariam pela segunda rodada da J-League contra o Cerezo Osaka.
“Os passageiros não chegaram a entrar em pânico, pois o trem estava parado. Mas, sem dúvida, foi um grande susto. É um fenômeno natural que não dá para distinguir. Nunca havia visto algo nestas proporções”, respondeu Nelsinho.
O experiente técnico confessou que tremores são recorrentes no Japão. Cerca de um a dois tremores são sentidos diariamente no país, mas todos com magnitudes bem menores. “Geralmente chega a 2 ou 3 na escala Richter. Nem chega a ser perceptível”, contou.
Na única vez em que Nelsinho Batista sofreu com um terremoto de grande magnitude, foi em 1995, no terremoto de Kobe. “Também foi um grande desastre, que devastou a cidade velha de Kobe. Mas igual a este, que aconteceu no dia 11, eu nunca vi”, disse o treinador, que trabalhou no Verdy Kawasaki.
Passado e futuro
Atualmente com 60 anos, Nelsinho é natural de Campinas. Ele foi um lateral-direito de grande destaque entre as décadas de 60 e 70, atuando por Ponte Preta e São Paulo. Além dos dois clubes, ele também vestiu as camisas de Santos e Juventus.
O ex-lateral começou na carreira de treinador em 1985, pelo São Bento. No entanto, Nelsinho começou a ganhar destaque no cenário nacional em 1990, quando levou o pequeno time do interior paulista Novorizontino ao vice-campeonato estadual. Perdeu a decisão para o Bragantino de Vanderlei Luxemburgo.
Em 25 anos de carreira, ele acumula conquistas importantes no currículo, como o Paranaense de 1988, os Paulistas de 97 e 98, o Goiano de 2003, os Pernambucanos de 2008 e 2009, a Copa do Brasil de 2008, o Brasileiro de 90, os Japoneses de 94 e 95 e a Copa da Liga Japonesa de 94. Neste período, ele acumulou passagens destacadas por grandes times como Corinthians, São Paulo e Sport.
Além dos quatro clubes citados, Nelsinho também já trabalhou por Ponte Preta, Inter de Limeira, Atlético-PR, Sporting de Barranquilla (Colômbia), América-SP, Novorizontino-SP (extinto), Guarani, Palmeiras, Al Hilal (Arábia Saudita), Verdy Kawasaki (Japão), Internacional, Cruzeiro, Colo Colo (Chile), Portuguesa, Goiás, Flamengo, São Caetano, Nagoya Grampus (Japão) e Santos.
Nelsinho garante não estar tão focado em relação ao futuro. Com contrato até o final de 2012 com o Kashiwa Reysol, ele disse estar com as atenções voltadas ao clube. “Espero cumprir meu contrato, mas sabemos que o futebol é dinâmico. Quando estou em um lugar, penso apenas em fazer o melhor neste lugar. O futuro pertence a Deus”, finalizou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário