

Retrospectiva: Com técnicos estrangeiros, seleções fracassam e mantém basquete brasileiro em baixa
O ano de 2010 tinha tudo para ser o da recuperação do basquete brasileiro. Os Mundiais masculino e feminino representavam boas oportunidades para que os insucessos das últimas temporadas fossem esquecidos, ou, na pior das hipóteses, amenizados. Mas não foi isso que se viu. Mais uma vez o país frustrou os seus torcedores, decepcionando tanto entre os homens como entre as mulheres. Nem mesmo a presença de treinadores estrangeiros experientes foi suficiente para que o Brasil resgatasse os seus tempos mais gloriosos. Por outro lado, o NBB (Novo Basquete Brasil) se fortaleceu no país com a realização da sua segunda edição, e outro atleta brasileiro passou a atuar na NBA, a mais importante liga de basquete do mundo. Considerando tais fatos, o ESPN.com.br fez uma retrospectiva desse esporte em 2010.
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Mundial Masculino
Desde o começo do ano, a seleção brasileira masculina de basquete apostou no técnico argentino Rubén Magnano. Ganhador da medalha de ouro com seu país nas Olimpíadas de 2004, na Grécia, o comandante foi o responsável por conduzir a equipe nacional no Mundial da Turquia. Contando com astros da NBA, o Brasil tinha a esperança de fazer uma grande competição, para apagar a pífia campanha de quatro anos antes, no Japão, quando terminou apenas na 19ª colocação.
Mas os problemas para Magnano começaram mais cedo do que ele imaginava. Pouco antes do Mundial, durante os amistosos preparatórios, o pivô Nenê Hilário, jogador do Denver Nuggets, sofreu uma contusão que comprometeu a sua participação no torneio. Para o seu lugar, foi chamado JP Batista.
Dessa maneira, a seleção brasileira iniciou o Mundial apostando em suas outras três estrelas da NBA – Leandrinho, Anderson Varejão e Tiago Splitter -, além de outros valores como Marcelinho Machado e Marcelinho Huertas. Nas duas primeiras rodadas, o Brasil fez o que dele se esperava. Mesmo sem convencer, confirmou o seu favoritismo e bateu as seleções de Irã e Tunísia.
O terceiro desafio era gigante. Talvez o maior de toda a competição. O Brasil encararia os Estados Unidos, maiores favoritos ao título. E os comandados de Rubén Magnano fizeram um jogo inesquecível; um duelo histórico. Depois de muito equilíbrio, os norte-americanos acabaram vencendo por apenas dois pontos: 70 a 68. Após a derrota nos detalhes, os brasileiros deixaram o confronto fortalecidos, cientes que poderiam endurecer qualquer partida.
E foi o que aconteceu no jogo seguinte. O Brasil fez outro duelo acirrado do começo ao fim. Porém, a vitória ficou do lado adversário: triunfo da Eslovênia por somente três pontos, 80 a 77. A derrota começava a complicar a vida da seleção no Mundial, pois a equipe provavelmente enfrentaria um adversário bastante complicado nas oitavas de final.
Antes dessa etapa, no entanto, o Brasil ainda tinha pela frente um último desafio válido pela fase de grupos. O duelo diante da Croácia serviu para mostrar que a seleção masculina já tinha se recuperado das duas derrotas consecutivas: vitória tranquila por 92 a 74.
O resultado aumentava a confiança para a fase seguinte. E o Brasil pegaria nas oitavas, em confronto de vida ou morte, a sua eterna rival Argentina. Quem levaria a melhor? Curiosamente, o Brasil tinha no banco de reservas um forte trunfo: o técnico argentino Rubén Magnano, profundo conhecedor da equipe adversária. Mas nem mesmo esse conhecimento foi suficiente para levar o time brasileiro adiante.
A história dos jogos contra Estados Unidos e Eslovênia se repetiu no confronto decisivo das oitavas de final. O Brasil mais uma vez fez uma partida equilibrada, mas falhou nos momentos cruciais e foi derrotado nos detalhes: 93 a 89. Com uma atuação impecável, anotando 37 pontos, o pivô argentino Luís Scola deixava o Brasil no meio do caminho.
Mas os argentinos também não foram tão longe na competição. Acabaram perdendo nas quartas de final para a poderosa Lituânia. A equipe europeia, por sua vez, não resistiu aos Estados Unidos na semifinal. E os norte-americanos fizeram a grande final contra os anfitriões turcos. Os donos da casa até se esforçaram, mas o time dos Estados Unidos, liderado pelo astro do Mundial, Kevin Durant, não deu chances ao adversário e levantou a taça.
Foi a quarta conquista dos norte-americanos em Mundiais e a primeira desde 1994. Em 1998, os Estados Unidos caíram diante da Rússia nas semifinais, e acabaram com a medalha de bronze. Quatro anos depois, em casa, a equipe dos profissionais da NBA deu vexame: perdeu três partidas e acabou na sexta colocação. Em 2006, no Japão, a campanha terminou novamente com o terceiro lugar.
Mundial Feminino
Depois da decepção no Mundial masculino, chegava a vez das mulheres tentarem resgatar os tempos mais gloriosos do basquete brasileiro. Para o Mundial da República Tcheca, a seleção feminina, assim como fez a equipe masculina, apostava em um comandante estrangeiro. O espanhol Carlos Colinas assumiu o comando do time depois de muitas polêmicas e confusões, que culminaram com a saída de Paulo Bassul.
A estreia do Brasil no Mundial aconteceu pouco mais de seis meses depois que Colinas assumiu o cargo. A equipe nacional tinha como principal destaque a ala Iziane, pivô dos desentendimentos entre o ex-treinador da seleção, Paulo Bassul, e a CBB (Confederação Brasileira de Basquete), que resultaram na saída do técnico.
O primeiro desafio foi diante da Coréia do Sul. E mais uma vez uma semelhança com o basquete masculino. Após um duelo bastante disputado, as brasileiras falharam no fim da partida e foram derrotadas por apenas um ponto: 61 a 60.
O segundo jogo tinha tudo para ser absolutamente tranquilo para o Brasil. A seleção de Mali não deveria impor grandes dificuldades. No entanto, as comandadas de Carlos Colinas mostraram nervosismo, e a vitória veio com uma certa dose de sofrimento: 80 a 73.
A partida contra a Espanha representava uma boa oportunidade para o Brasil, enfim, desencantar e mostrar o seu melhor jogo. Em quadra, todavia, a equipe de Colinas, apática, sucumbiu diante da força espanhola e foi facilmente dominada. O Brasil partia para a segunda fase da competição com apenas uma vitória e longe de convencer.
Contra a Rússia, a seleção foi presa fácil. As russas impuseram um forte ritmo de jogo e triunfaram por 76 a 53. No jogo seguinte, as brasileiras suaram muito para bater as japonesas em um confronto emocionante. Com a campanha de duas vitórias e três derrotas, o Brasil faria contra a República Tcheca uma verdadeira decisão. A equipe de Colinas dependia de uma vitória diante das anfitriãs para seguir com chances de avançar no Mundial. Porém, mostrando muita instabilidade – marca do time no torneio -, o Brasil não resistiu e acabou perdendo por 84 a 70.
Assim como a equipe masculina, a feminina ficou bem distante de alcançar uma campanha satisfatória no Campeonato Mundial. Pelo menos as vitórias sobre Canadá, e novamente diante do Japão, levaram o Brasil ao nono lugar, e amenizaram um pouco a frustração após a derrota para as tchecas.
No fim das contas, o basquete dos Estados Unidos sagrou-se campeão do Mundial feminino, vencendo na decisão a anfitriã República Tcheca por 89 a 69. O resultado coroou uma belíssima campanha. As norte-americanas venceram seus nove jogos, sendo oito deles por uma diferença de pelo menos 20 pontos. O título foi o oitavo dos EUA em mundiais, que ganharam metade dessas competições disputadas até hoje.
NBB, novas regras e NBA
O ano de 2010 ainda marcou o fortalecimento do NBB (Novo Basquete Brasil). A segunda edição da história do torneio apresentou uma final bastante emocionante entre Brasília e Flamengo. Os times repetiram a decisão da temporada 2009, mas desta vez o resultado foi outro.
A equipe de Brasília conseguiu se vingar do rival carioca. Com o triunfo de 76 a 74 no último jogo da série melhor-de-cinco, Brasília fez 3 a 2 sobre o Flamengo e sagrou-se campeão. Na temporada anterior, os rubro-negros ficaram com o caneco. Assim como em 2009, Marcelinho Machado foi eleito o melhor jogador da competição.
A terceira edição do NBB, que será encerrada em 2011, apresentou novidades para os fãs de basquete. O Departamento Técnico da Liga Nacional de Basquete (LNB) incluiu no regulamento da competição as novas regras adotadas pela FIBA.
Tais mudanças implicaram em temas como: linha de lance-livre, área restritiva, área de cesta de três pontos (distância de 6,75m e não mais de 6,25m), linha para a reposição lateral, semicírculos nos quais não são consideradas ou marcadas cargas ofensivas e os vinte e quatro segundos de posse de bola.
NBA
Na NBA, o ano de 2010 marca o bicampeonato do Los Angeles Lakers. Comandada por Kobe Bryant, a equipe de Los Angeles bateu na grande final o Boston Celtics. O título veio na sétima partida da série decisiva. O bicampeonato fez de Phil Jackson o técnico com maior número de títulos na história da Liga, com 11 conquistas. Além disso, Kobe Bryant levantou o seu 5º troféu na carreira, o 16º dos Lakers.
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