Holanda x Espanha - Quem será o último dos amarelões?
Campinas, SP, 10 (AFI) - Depois de 30 dias e 63 partidas, finalmente chegou a hora da verdade na Copa do Mundo da África do Sul. Neste domingo, a partir das 15h30 (horário de Brasília), Holanda e Espanha entram em campo no pomposo Soccer City, em Joanesburgo, em busca de um título inédito e para por um fim definitivo ao rótulo de "amarelão". Mas somente uma das duas seleções sairá de campo livre desta pecha.
O duelo tem vários ingredientes para tornar-se histórico. O primeiro e mais importante é o fato de que ambas lutam pelo primeiro título em Copas do Mundo. Além disso, o continente europeu desempatará no número de títulos contra a América do Sul. Serão dez taças (Itália quatro vezes;
Alemanha três; Inglaterra, França e Holanda/Espanha um cada) contra nove (Brasil cinco vezes; Argentina e Uruguai duas).
Não bastasse isso, a Laranja Mecânica ou a Fúria conseguirá um feito que somente o Brasil conquistara em 80 anos de Copa. Desde que o primeiro Mundial foi disputado, no Uruguai, somente a Canarinha levantou a taça em outro continente. A Seleção conquistou o título de 1958, na Suécia, e o de 2002, na Coréia do Sul/Japão.
Por fim, esta decisão acaba também com uma hegemonia histórica, que dura também desde a primeira Copa. É a primeira vez na história que a final não contará com pelo menos uma das quatro seleções mais tradicionais do mundo: Brasil, Itália, Alemanha e Argentina. Em todos os mundiais, até hoje, um dos quatro esteve na partida decisiva.
Tradição laranja
Embora tenha menos participações em Copas do Mundo, a Holanda ostenta a vantagem quando o assunto é eficiência e tradição. Das nove edições que disputou, esta é a terceiro decisão que terá pela frente. Com o grande time que ficou conhecido como Carrossel Holandês, a Laranja chegou às finais de 1974 e 1978, perdendo ambas para Alemanha e Argentina, respectivamente.
Enquanto isso, a "La Roja" já participou de 13 mundiais, mas nunca conseguiu um resultado expressivo. Sua melhor colocação foi um quarto no lugar, em 1950, no Brasil. Nas últimas edições, quase sempre o país ibérico entrou como um dos favoritos, mas o melhor que conseguiu foi chegar às quartas-de-final em 86, 94 e 2002.
Quando o assunto é retrospecto de confrontos, os holandeses também levam a melhor. Até hoje, as duas equipes já se enfrentaram em oito oportunidades, quando quatro vitórias da Holanda, três vitórias da Espanhe e um empate. São dez gol marcados pelos holandeses e 12 gols sofridos.
Caminhos diferentes
As duas seleções encararam caminhos bem parecidos durante o Mundial. Contando com um poquinho de sorte, ambas escaparam de uma maratona de confrontos contra seleções de
tradição. A Holanda, por exemplo, teve pela frente Japão, Dinamarca e Camarões na primeira fase.
A única pedreira foi o Brasil, já que passou pela Eslováquia nas oitavas e o valente, porém limitado, Uruguai nas semifinais. Até por isso, os holandeses conseguiram acumular seis vitórias em seis jogos, até agora.
A Espanha também teve um grupo relativamente fraco, na primeira fase. Mesmo assim, perdeu a estreia para a Suíça, e depois recuperou-se contra Chile e Honduras. Nas oitavas, passou por uma seleção portuguesa esfacelada e nas quartas superou o Paraguai. Somente na semi pegou a Alemanha e, aí sim, confirmou sua força.
Duelos à parte
Não será também somente o título mundial que estará em jogo. Cinco jogadores entrarão em campo para disputar um duelo particular. Os meias Iniesta e Xavi e o atacante David Villa, da Espanha, além do meia Sneijder e do atacante Robben, da Holanda, estão entre os dez indicados para disputar o prêmio de craque do torneio. Certamente, o vencedor será aquele que se destacar mais na seleção campeã.
Outra atração será a briga pela artilharia. Villa e Sneijder somam cinco gols cada. Hoje, eles dividem a tabela de artilheiros ao lado de Müller (Alemanha) e Forlán (Uruguai). Ambos, porém, já encerraram suas participações.
Villa, aliás, poderá fazer "barba, cabelo e bigode". Considerado o principal responsável pela classificação espanhola à final. Além da taça, prêmio de craque e artilharia, ele terá nova chance de tornar-se o maior arilheiro da história da Fúria. Atualmente, ele soma 43 gols em 64 jogos. Raul fez 44 gol em 102 partidas.
Times completos
Para delírio dos fãs de futebol, Holanda e Espanha entrarão em campo com o que tem de melhor. O técnico Bert van Marwijk ganhou dois importantes reforços na Laranja. O lateral-direito Van der Wiel e o volante De Jong retornam de suspensão.
Com um futebol mais pragmático do que encantandor, a Holanda aposta na objetividade para chegar ao título inédito. "Prefiro jogar uma partida extremamente feia e vencer do que jogar bonito e perder", afirmou Robben.
Na Espanha, o técnico Vicente De Bosque não terá mudanças em relação ao time que superou a Alemanha. O jovem Pedro segue na vaga de Fernando Torres, enquanto Fábregas continua esquentando o banco de reserva.
"Nós não queremos ser a nova Laranja Mecânica. Queremos ser campeões. Seria extremamente justo para o futebol e bom para o esporte se a Espanha fosse campeã", comentou Xavi.
Ficha Técnica
Holanda x Espanha
Local: Soccer City, em Joanesburgo
Data: 11/07/2010 (domingo)
Horário: 15h30 (de Brasília)
Árbitro: Howard Webb (ING)
Holanda
Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; De Jong, Van Bommel e Sneijder; Robben, Van Persie e Kuyt.
Técnico: Bert van Marwijk
Espanha
Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta; Pedro e David Villa.
Técnico: Vicente del Bosque
Nenhum comentário:
Postar um comentário